quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Tente outra vez.


Como seria se pudéssemos voltar no tempo para corrigir nossos erros?
Dar um jeito nas coisas que deram errado ou que não saíram do jeito que imaginamos.
Poderíamos mudar muitas coisas, poderíamos até ser pessoas completamente diferentes, com outros pensamentos, outra visão da vida, do mundo, das pessoas, de nós mesmos.
Poderíamos até evitar que algumas pessoas se afastem, ou, até mesmo, evita-las.
Resolveríamos até amores mal resolvidos! Ah, como isso seria bom, não é? Talvez.
Já pensou o quanto seria fácil tudo isso? Seria tipo: “Ah, isso não deu certo, voltarei uns dois dias aqui no passado e arrumar”. “Aquela pessoa me magoou, me machucou. Voltarei uns anos aqui no passado e evitarei conhece-la”.
Para muitos isso seria maravilhoso, simples, prático e eficaz. Mas, se isso fosse mesmo capaz, as pessoas ficariam vazias, sem sentimentos, perderiam a capacidade de superação, aquela sensação de vitória após ter superado um obstáculo, jamais sentiriam aquela felicidade após ter vencido um desafio, não teriam orgulho de si mesmo. As pessoas ficariam frias, insensíveis, descartáveis.
O que seria de nós, seres humanos, se perdêssemos a motivação de dar a volta por cima, começar tudo de novo?
O que seria de nós se perdêssemos a capacidade de levantar a cabeça, olhar para frente e dizer: “Eu posso, Eu consigo fazer, ser melhor”.
Já dizia o poeta Raul Seixas: “Não diga que a vitória está perdida se é de batalha que se vive a vida”. Não importa o quanto se erra, como se erra, Você sempre será capaz de se corrigir, de ser melhor, Basta ter vontade. Seja forte, sorria e tenha sempre fé na vida.


-Paulo Arruda.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bárbaras Lembranças.


Ainda me lembro do primeiro dia em que a conheci,
Faz tempo, uns oito ou nove anos (?)
Não me recordo exatamente da data,
Mas lembro-me com clareza algumas das coisas que conversamos naquela noite,
Falamos sobre vampiros, lembra?
Tivemos um papo meio estranho, diferente e legal,
Falamos também sobre músicas,
Sobre a lua, sobre como a praia fica linda a noite,
Gostávamos das mesmas coisas,
Nem parecia que estávamos nos conhecendo naquela noite, tamanha foi a nossa identificação.
Passamos horas e horas conversando,
A cada minuto, encantava-me cada vez mais com o seu jeito,
Nunca havia conhecido alguém assim tão interessante quanto ela.
Quase que no fim da noite,
Nós decidimos dar um passeio pela praia,
A noite estava linda, perfeita para um passeio,
Parecia nos convidar,
Conversamos e sorrimos muito enquanto caminhávamos,
Até que, quando paramos para observar a lua,
Acabamos nos beijando, foi algo inevitável,
Talvez tivesse mesmo que acontecer,
Foi um momento maravilhoso, lindo, sincero e inesquecível.
Ficaríamos a noite toda ali, se fosse possível,
Somente eu, ela e a lua que nos observava, nos iluminava,
Tornando tudo ainda mais belo.
Mas tivemos que voltar à realidade,
Pois nossos amigos estavam nos procurando,
Nos despedimos com mais um beijo e fomos embora.
Depois desta noite maravilhosa, nós nos afastamos,
Primeiro porque ela mora longe, em outro estado,
Até mantivemos contato pela internet,
Mas não durou muito, pois eu estava saindo, tentando sair de um relacionamento fracassado e sem futuro,
E eu vi, nela, a chance de ser feliz,
Nos dávamos tão bem, com certeza daria certo,
Ou não, não sabemos,
A distância, a vida não nos deu essa chance.
Ficamos alguns anos sem nos falar,
Mas os sentimentos ainda eram os mesmos,
Ainda permaneceram em nós,
A amizade eu criamos naquela noite era mais forte que qualquer outro sentimento, que qualquer distância,
Isso se confirmou anos mais tarde,
Quando nos encontramos, por acaso.
Mais uma vez passamos a noite toda conversando,
Bebendo e fumando alguns cigarros,
Quando o dia estava amanhecendo,
Ela teve a seguinte idéia:
“Vamos ver o sol nascer na praia?”
É claro que eu disse sim,
Naquele momento eu iria à qualquer lugar com ela.
Foi o nascer do sol mais incrível, mais lindo que já vi
Tudo tão perfeito, começando pela companhia maravilhosa,
Ficamos sentados lado a lado,
Conversando e admirando não só o sol nascente,
Mas, também, a beleza do momento, nosso momento,.
Depois de tantos anos nós estávamos ali na praia novamente,
Conversando e nos divertindo,
Exatamente como da primeira vez,
Senti aquela mesma vontade irresistível de beijá-la,
Vontade de dizer tudo aquilo que senti anos atrás
Tudo que estava sentindo naquele momento,
Mas não tive coragem,
Talvez por medo, talvez por insegurança ou talvez porque não fosse pra acontecer mesmo.
Depois desse dia, eu a vi mais algumas vezes,
Mas não tiveram a mesma magia,
A mesma intensidade,
Mas dessa vez, Eu que foi embora para outra cidade,
Não tão distante, mas fui.
Aquele meu relacionamento fracassado, sem futuro, fracassou mesmo.
Quando voltei à minha cidade,
Ela não estava mais lá, havia voltado para a cidade dela,
Nos afastamos novamente,
Mas dessa vez não mantivemos contato nem por internet.
Às vezes eu a encontro por aí,
Nos abraçamos, conversamos um pouco e só,
Vamos cada um para o seu lado.
Talvez tenhamos perdido a chance de termos algo além da amizade, naquele segundo encontro,
Ou talvez não, nunca saberemos.
Mas mesmo com a distância,
Essa falta de contato, não mudou o que eu sinto, nunca mudará.
Ela sempre será aquela garota incrível, madura e extraordinariamente legal, que conheci à uns oito ou nove anos atrás.
Eu a considero uma grande amiga
Uma pessoa realmente maravilhosa, uma das melhores que já conheci.
Ela sempre será uma lembrança boa para mim,
Conhece-la foi um dos melhores presentes que a vida me deu.


-Paulo Arruda.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Bebidas.


Chega a ser engraçado como algumas pessoas se escondem atrás das bebidas,
Como elas as usam como desculpa por seus atos,
Ou até mesmo para cometer algum,
Seja de carinho, seja de violência,
Seja de perdão, seja de amor, seja qual for.
É apenas uma desculpa esfarrapada,
Uma covardia até. Somos os mesmos,
Bebendo ou não.
Quem nunca falou uma dessas frases:
"Quando eu bebo, eu fico mais feliz, mais legal".
"Quando eu bebo, eu fico mais corajoso, perco o medo".
"Quando eu bebo, eu perco a timidez, fico mais espontâneo".
E, talvez a mais usada:
"Não era eu, eu estava bêbado, foi culpa da bebida".
Sim, é claro que já usei uma, ou todas essas frases,
Não sou hipócrita
Mas tudo não passa de uma forma de fugirmos de nossas responsabilidades,
Usamos a bebida como escudo,
Libertamos alguns sentimentos, algumas vontades escondidas.
Nos sentimos confiantes para mostrar o lado que muitas vezes guardamos, escondemos.
Embriague-se de vida e viva, sonhe, seja você mesmo. Afinal, não é nossa culpa, é a bebida.


-P.A.r

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Jamais esquecerei.


Revirando um baú antigo, achei um álbum de fotografias de uma viagem que fiz há uns anos atrás. Foi uma viagem incrível, com lugares, paisagens e pessoas lindas. Lá tive o prazer de fazer meu primeiro voo de balão, lembro-me como se fosse ontem, não há como esquecer aquela sensação, aquele imenso e lindo céu azul, confesso que senti um pouco de medo, mas tudo estava tão maravilhoso, tão perfeito, que logo esqueci qualquer medo.
O balão estava cheio, capacidade máxima, eu acho, tanta gente bonita, tanta gente interessante, haviam casais, grupos de amigos, a maioria eram pessoas mais velhas, alguns idosos até, mas em meio a essas pessoas, havia uma garota, uma linda garota. Ela estava com uma câmera fotográfica nas mãos, registrando todos os momentos, fotografando os casais, os velhinhos, ela dava mais atenção aos velhinhos, o jeito que ela os tratava realmente me chamou a atenção, passei a observá-la , sem que ela percebesse, claro. Ela era incrivelmente linda, tinha os cabelos loiros, meio alaranjado, daqueles que já foram ruivos um dia, um rosto deslumbrante, olhos lindos, verdes, castanhos, fiquei confuso, usava óculos, eu considerava um charme a mais, particularmente acho lindas as mulheres que usam óculos, por um instante nossos olhares se encontraram, fiquei totalmente sem graça, meu coração disparou, senti um frio na barriga, ela apenas sorriu e voltou sua atenção para as fotografias. Aquele foi o sorriso mais linda que já vi, ela usava aparelho nos dentes, deixando ainda mais lindo e inesquecível o sorriso. Sim, eu acho lindas as mulheres que usam aparelhos.
Desde o momento que a vi, não consegui prestar atenção em mais nada, olhava para a direção dela, sem perceber, era quase que automático. O voo já estava no fim, estávamos nos preparando para o pouso, sempre um momento tenso, mas eu estava mais preocupado em vê-la, não perdê-la de vista, estava pensando em uma forma de chegar até ela, nem percebi os trancos que o balão deu, eu a olhava fixamente, não sabia se a veria de novo, nossos olhares cruzaram-se novamente, agora um pouco mais demorado, decidi não desviar o olhar, ela sorriu, tive que segurar numa corda para não cair, ela sorriu mais ainda e eu retribui os sorrisos, meio desajeitado, mas retribui. No momento em que o balão pousou, as pessoas apressaram-se em sair, foi nessa hora que a perdi, procurei por todos os lados, em volta dos outros balões, mas não a encontrei.
Quando voltei ao hotel, não consegui tira-la de meus pensamentos, não consegui parar de pensar naquele sorriso lindo, eu a procurei em todos os locais que fui aquela noite, não a encontrei. Na manhã seguinte, fui cedo ao local onde ficavam os balões, depois de algumas voltas, eu a encontrei, perto de um balão azul, parecido com o que estávamos no dia anterior, ela estava linda, fascinantemente linda. Ao vê-la pensei: “E agora?” fui andando em sua direção, totalmente sem jeito, minhas pernas não me obedeciam, estava decidido em falar com ela, ela deu aquele lindo sorriso ao me ver, ela estava novamente perto dos casais e dos velhinhos, eles pareciam mesmo gostar dela, ela estava com a câmera nas mãos, ela parecia gostar muito de fotografias. Decidi ir naquele balão, era a minha chance de conhecê-la, era tudo que eu queria desde o primeiro momento em que a vi, tive que me apressar o balão já estava pronto para partir, ao me ver entrar no balão, ela sorriu, parecia ter gostado, eu acho, tentei ficar o mais próximo possível dela, mas ela estava rodeada por seus novos amigos. Já estávamos na metade da viagem e eu não consegui me aproximar mais, trocávamos alguns olhares, alguns sorrisos, mas nada de conversarmos.
Não sei como, nem em que momento, mas quando me virei para olhá-la, ela estava ao meu lado, fotografando a paisagem. Meu coração disparou, faltou-me o ar, tive que segurar firme em uma corda, ela percebeu minha reação, sorriu e disse: -“Está tudo bem por aí?”.
Fiquei alguns segundo admirando o sorriso e o som de sua voz, quando finalmente consegui falar, eu gaguejei e disse: -“si, sim, estou bem”. Falei com um sorrisinho sem graça.
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que finalmente criei coragem e disse: Você gosta mesmo de fotografar, não é?
- Sim, eu amo! Acho incrível o poder que elas têm de guardar, eternizar sentimentos. Disse ela com um sorriso e com um encantador brilho no olhar.
Depois disso conversamos sobre tantas coisas, foi uma conversa fácil, gostávamos das mesmas coisas, mesmas músicas, mesmos livros, enfim, ela era perfeita! Possuía um jeito extremamente encantador, e eu estava extremamente encantado por ela. Procuramos ficar juntos ao fim da viagem, para não nos perdermos, era meu último dia naquela cidade, não suportaria se a perdesse novamente.
Saímos e fomos à um café próximo dali, conversamos muito, nosso assunto não tinha fim, assim como a vontade de nos conhecermos mais. Ficamos pouco tempo no café, estávamos cansados e precisávamos de um banho, decidimos nos encontrar mais tarde.
Ao chegar no hotel, meus pensamentos foram novamente dominados por ela, pelo seu sorriso, pelo seu jeito encantador, perguntei-me diversas vezes: “Por que não a conheci antes?”.
Nos encontramos à noite, numa praça perto do hotel. Fiquei esperando alguns minutos, não sabia se eu estava adiantado ou se ela que estava atrasada, não importa. Depois de alguns minutos, ela aparece, ela estava extraordinariamente linda, faltam-me palavras para descrevê-la. Conversamos um pouco ali mesmo, depois fomos à um café-bar, onde estava tocando algumas músicas legais, mas não ficamos muito tempo por lá.
A noite está linda demais para ficarmos presos aqui, vamos passear por aí. - Disse ela. E realmente a noite estava linda, a presença dela deixava a noite ainda mais encantadora.
Enquanto caminhávamos, ela me dizia o quanto admirava o céu, a sua imensidão, as estrelas, o quanto ela achava a lua linda, principalmente quando estava cheia. Para a nossa sorte a noite estava com o céu repleto de estrelas, a lua cheia brilhava divinamente linda. Conversamos muito, brincamos e demos muitas risadas juntos, fizemos até uma competição de cantadas, aqueles foram, com certeza, os melhores momentos de minha vida, foram mágicos. Estar com ela, naquela noite, foi surreal.
Infelizmente a noite estava chegando ao fim, tínhamos que voltar ao hotel, pois voltaríamos para nossas cidades amanhã bem cedo. Não falamos sobre isso a noite toda, também não fizemos perguntas pessoais e não falamos sobre nossas vidas, não falamos sobre nada que pudesse atrapalhar nosso momento, aproveitamos tudo da melhor maneira possível, desfrutamos de cada sentimento, só nos preocupávamos em viver aquele maravilhoso momento que a vida nos proporcionou. Antes de nos despedir, ela me entregou um envelope contendo uma fotografia.
-Não, não acredito, essas foto é do primeiro dia que a vi, não é?
-Sim, aproveitei quando você estava distraído. Eu também me encantei por você desde o primeiro dia. Disse ela, sorrindo.
Nos abraçamos e nos beijamos, um beijo longo, demorado e carinhoso, um beijo que jamais esquecerei. Não choramos, havíamos prometido que não choraríamos na despedida.
Quando voltei ao hotel, novamente não consegui pensar em nada, somente nela, nos momentos que passamos juntos, no sorriso, no beijo... Adormeci pensando naquele beijo.
Até hoje eu me pergunto se tudo aquilo não passou de um sonho, se eu não inventei todos aqueles momentos, se eu não a inventei. Mas não, não foi um sonho. Apesar de a vida ser basicamente um sonho, foi tudo real, tão real quanto a lembrança de seu sorriso, tão real quanto essa fotografia, tão real quanto essa saudade que sinto agora...
Nunca mais a vi, não tivemos nenhum contato depois daquela viagem, a vida não cruzou nossos caminhos de novo. Mas isso não me entristece, ao contrário, me deixa feliz, a lembrança daquele lindo sorriso ainda me faz bem.
As únicas coisas que restaram dela, foram as lembranças, essa fotografia e a pergunta que sempre faço: “Onde ela estará agora?”


-Paulo Arruda.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobre a saudade que sinto.


Guardo na lembrança só o tempo em que fui feliz,
A dor e as lágrimas que o passado proporcionou,
Eu já esqueci, esqueci e decidi viver.
Conheci novas pessoas, novos caminhos,
Algo dentro de mim se renovou.

Claro que nesse tempo eu sofri,
Mas com isso eu aprendi.
Novos amores eu conheci, alguns deixei para trás,
Outros escrevi aqui,
Outros não deram certo, mas, enfim, sobrevivi.

Sobrevivi até os dias em que a vida lhe trouxe até a mim
E sabe aquela felicidade instantânea?
Aquela que lhe faz nunca mais ter vontade de parar de sorrir.
É difícil explicar, mas foi isso eu senti
Arrisco-me até em dizer, que,
De todas as pessoas eu conheci até hoje,
Você é a que mais me fez rir.

Ah, eu sei eu sonhar demais é perigoso e pode machucar,
Mas a vida em si já é um sonho,
Você não acha?
Então, eu acho que posso arriscar,
Deixar o meu coração me levar
E, talvez, quem sabe, um dia você também possa me amar.

-Paulo Arruda.

sábado, 7 de setembro de 2013

Se ninguém te ouve, escreva.


- Porque escreve tanto, senhor?
Perguntou um jovem rapaz, ao senhor de cabelos grisalhos que estava sentando em sua cadeira na calçada.
O senhor de cabelos grisalhos olhou-o bem e respondeu:
- Escrevo para limpar-me os pensamentos, aliviar-me o coração.
- Hum... E o quê escreve?
Perguntou novamente o rapaz.
Demonstrando certa irritação e querendo dispensar logo o curioso rapaz, o senhor, respondeu-lhe de maneira ríspida:
- Escrevo meus sentimentos, pensamentos, sonhos e até amores. O que vier a cabeça.
Um crescente interesse, misturado com um tanto de curiosidade, o rapaz, perguntou, mais uma vez:
- Ah, sim. Mas não seria melhor falar, conversar com alguém?
(...) silêncio.
- O senhor não gosta muito de falar, não é mesmo?
Disse o jovem, um pouco constrangido pelo silêncio.
Depois de mais um breve silêncio, um gole no café, já meio frio, seguido de um trago em seu cigarro, respondeu-lhe assim:
- Meu caro rapaz, és muito jovem ainda, verás, com o tempo, que, na maioria das vezes, as pessoas não nos ouvem, não nos dão devida atenção quando falamos. As palavras ficam perdidas, vagando por aí, levadas pelo vento, são rapidamente esquecidas.
Quando se escreve, é diferente, escreve-se para si mesmo, depois para os outros. E quem ler sempre dará total atenção, lembrarão de cada verso, cada sentimento aqui escrito.
Olhou fixamente o rapaz, e disse:
- Aprenda uma coisa, jovem rapaz, escrever é a melhor forma de fazer com que as pessoas nos dê atenção, se queres ser ouvido, escreva.
O rapaz encarou-o em silêncio, perdido em pensamento, talvez digerindo aquelas palavras, procurando algum significado. E, sem dizer nada, virou-se de repente e foi embora, caminhando lentamente, apenas com um tímido sorriso no rosto.


-Paulo Arruda.

Vitória.


Bom, eu poderia começar contando minha história de varias maneiras, algumas não tão fáceis, mas mais marcante outras bem mais simples, porem sem emoção alguma, seria como um resumo vazio. É claro que começarei da forma mais difícil, mais emocionante, e, quem sabe, a minha história possa tocar-te em algo, e, talvez, mude algo em sua história... Sou a mais nova entre 4 irmãos (2 meninas e 1 menino), posso dizer que tive uma infância feliz, como de qualquer outra criança, ou talvez não. Mas no geral, eu fiz tudo o que se espera de uma criança, corri, brinquei, aprontei, sorri e chorei, e como chorei... Mas as lágrimas são necessárias, às vezes, fazem parte da vida, nos fortalecem. Desde pequena sempre fui muito decidida, empenhada com as minhas coisinhas, me esforçava ao máximo para que os desenhos de colorir saíssem perfeitos, pra, quem sabe, ganhar um elogio, um carinho dos meus pais. Era um esforço em vão, ninguém nem percebia meus esforço, ninguém me notava, quando notavam, só viam os defeitos, só recebia criticas, nenhum incentivo, nenhuma palavra animadora, nada, absolutamente nada... Mas sempre fui teimosa, persistente, sempre absorvia aquelas criticas e pensava: “posso fazer melhor, sou capaz disso” claro que todas aquelas criticas, a ausência de carinho, me deixavam bem triste, mas, ao mesmo tempo, me ensinaram a ser forte, a procurar fazer sempre o melhor. As cosias pioraram quando completei 7 anos, talvez a minha pior fase, não só minha, mas a de toda família, talvez, não sei... Sei que para mim foi horrível, pra minha mãe que entrou em depressão também. Ela afastou-se ainda mais de mim, de meus irmãos, das coisas que eram rotineiras, tipo a de me levar a mim e meu até a escola. Com isso, aos 7 anos de idade, eu atravessava a cidade inteira até chegar á escola, tive que aprender a me virar, fazer meu lanche, se não passava fome no caminho. Mas essas coisas me fortaleceram ainda mais, aos 7 anos eu conhecia a cidade quase toda. Com o passar do tempo cada um arrumou uma forma de se livrar da tristeza que carregávamos, talvez não tenham tido a melhor escolha, mas, talvez seja a única maneira que eles conseguiram pra sair de tal situação. Meu irmão deixou de assistir as aulas pra ficar se drogando, minhas duas irmãs casaram-se e tiveram filhos, hoje moram com os maridos, minha mãe troca de namorado com a mesma frequência em que troca de roupa, e eu, eu continuei sendo eu mesma continuei com meus esforços para obter atenção, e até um pouco de carinho, de amor... Mas não desanimei, com o passar dos anos fui me tornando cada vez mais independente, responsável, mais concentrada e focada em meus objetivos. Os atritos com minha mãe foram aumentando, ela sempre me chamou de irresponsável, não poderia aceitar tal insulto, logo eu que sempre me esforcei tanto, abdiquei de várias coisas, tive que me tornar independente muito nova, era apenas uma criança. Mas, sabe, até que não reclamo muito disso, talvez tenha sido melhor assim, não que eu não tenha sofrido que não tenha sido doloso, mas eu superei todos os obstáculos que a vida me proporcionou, sem ajuda, sem ninguém, sem desviar meu caminho, fiz tudo isso sendo eu mesma, e amadureci muito nesse tempo todo, mesmo que seja um amadurecimento precoce. Hoje sou feliz com minhas coisas, minha músicas, meus textos, meus colegas, minhas conquistas... E quando olho para trás, vejo um passado triste, sim, mas também vejo tudo que superei todos os obstáculos que ficaram para trás, tudo isso sem manchar minha trajetória, sem desvirtuar meus pensamentos. Se me perguntarem hoje, o que eu quero da vida, eu responde de imediato: “EU QUERO SER FELIZ”, e eu serei feliz, não importa quantos obstáculos à vida me propor, passarei por todos, sem desanimar, sem desistir. Serei feliz e isso será minha maior conquista, meu orgulho, olharei para trás e direi que venci, sim, venci todos os obstáculos, as tristezas, e fiz tudo isso sendo eu mesma, acreditando em mim, em meus ideais... Ah! Ia esquecendo de me apresentar. Me chamo Vitoria, e tenho 14 anos.


-Paulo Arruda.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Amizades.


Amizades, sinto tanta falta daquelas amizades verdadeiras,
Daquele companheirismo, daquela lealdade.
Lembro-me ainda dos meus amigos do tempo de escola,
Que época boa foi aquela,
Quando juntávamos o nosso grupinho, uns cinco ou seis amigos, para jogar bola,
Brincar de pega, de pique esconde. E tantas outras brincadeiras,
Que saudade daquele tempo, daquela amizade pura e inocente.
Infelizmente a vida nos levou por caminhos diferentes,
Afastando a grande maioria daquele grupinho de amigos.
Mas não há como esquecer aqueles momentos de pura felicidade,
Não há como esquecer, não há como não sentir saudades de todos eles.
Lembro-me também das amizades que fiz durante a adolescência,
Foi uma época difícil, de novas descobertas,
As coisas já não mais tão simples e fáceis como antes,
Já não tinham mais aquela pureza e ingenuidade,
Essas coisas ficaram para trás, assim como algumas amizades.
Descobri que muitas das pessoas são más,
Muitas das vezes não são o que demonstram ser,
Foi uma época realmente difícil, de muitos conhecidos, mas de poucas amizades. Algumas, uma ou duas, amizades daquele saudoso tempo, permaneceram comigo.
Decepcionei-me com várias pessoas,
Muitas delas diziam ser meus amigos,
Mas, também, conheci pessoas maravilhosas,
Pessoas eu levarei comigo para o resto da vida,
Mesmo que seja na lembrança,
E algumas delas nem eram tão amigos assim.
Essa transição de criança para adolescente acabou deixando muitas coisas para trás, muitas pessoas também.
Com o passar dos anos,
A vida acabou afastando por completo aquelas velhas amizades,
Uns mudaram-se com os pais,
Outros foram estudar em outra cidade,
Alguns se afastaram por vontade própria,
Talvez por terem outras prioridades, esses não fazem muita falta.
Mentira, fazem sim, meus sentimentos, minha amizade sempre foi verdadeira,
Sempre procurei, de alguma forma,
Demonstrar o quanto eles eram especiais para mim,
O quanto amava meus amigos.
Mas da mesma forma que a vida acaba afastando alguns amigos,
Ela nos traz amizades novas e nos coloca diante de pessoas interessantes, legais, carinhosas,
sempre dispostas a nos ajudar, a nos ver, nos fazer bem.
Pessoas que você para e pensa: Nossa, como ela é incrível.
As coisas acontecem desta maneira porque a vida não para,
Ela não pode parar, a vida está sempre em constante atualização,
Nos dando novas direções, nos levando por novos caminhos.
Sempre algo, ou alguém acaba ficando para trás,
Mas os sentimentos não, não os verdadeiros,
Esses nos acompanham sempre, pelo resto da vida,
Não importa qual for a distância, eles sempre estarão conosco.
Lembrarei de todos vocês, não importa o quão longe estejam,
Qual caminho percorrem,
Vocês sempre estarão comigo,
Seja em meus pensamentos ou em meu coração.


-Paulo Arruda.

Aquela Fotografia.


Ainda tenho guardada aquela fotografia, sabia?
E ela me traz tantas recordações,
Tantos os sentimentos bons.
E o nossos sonhos, lembra-se deles?
Aquele de cruzar o Brasil, talvez, o mundo, de carro,
Levando apenas algumas mochilas e nossa câmera fotográfica.
Na verdade ela sempre foi mais sua,
Você e sua paixão por fotos,
Dizia que elas em o poder de eternizar não só os momentos,
Mas, também, os sentimentos.
E você estava certa, sempre esteve...
Pois quando olho para aquela fotografia,
Sinto todas as mesmas sensações maravilhosas vividas naquele dia,
Até posso ouvir você perguntando, com um sorriso lindo no rosto:
Essa ficou boa?
Eu, sem dar nenhum valor, dizia apenas: ficou boa.
Não fui capaz de perceber a sua felicidade,
Não fui capaz de ver o quanto aquilo era importante pra você.
Ah, essa foto, jamais me cansarei de olha-la,
E, todas as vezes, a vejo de um modo diferente,
Com um sentimento diferente, um sorriso diferente,
O que nunca mudará é a lembrança daquele seu sorriso e de seus lindos olhos brilhando de felicidade.
Muitos daqueles sonhos ainda estão bem vivos em mim,
Aqueles mesmo que, um dia, falei serem bobos,
Pois é... Hoje eu faria de tudo para vivê-los com você,
Até mesmo aquele de dar volta ao mundo de carro,
Somente eu, você, algumas mochilas e sua, sim, sua câmera.
Lembro que eu apenas dei risada e te chamei de boba, disse ainda que era impossível.
Aquele outro sonho, o de ter uma casinha no campo
Só eu, você, nossos livros,
Talvez um ou dois cachorros.
Lembra o que eu disse?
- Cê tá louca? Não posso sair da cidade, não posso largar o emprego, e tem mais, viveríamos de que?
A sua resposta também tornou-se inesquecível para mim:
- Já temos o suficiente, nos viramos, não precisamos de tudo isso aqui. Viveríamos de felicidade, de amor.
- Ficou louca mesmo. Ninguém vive de amor!
AH! Como posso ter sido tão burro assim,
Demorei muito pra perceber que a vida não faz sentido sem esses sonhos “bobos”,
Demorei muito pra perceber que dá sim pra viver de amor, de felicidade.
Você é a prova disso,
Sempre acreditou em seus sonhos,
Por mais “bobos” que eles pareçam ser,
Sempre viveu de amor,
Sempre viveu de felicidade,
Eu, cego, nunca percebi.
Passo meus dias trancado num escritório,
Vivendo uma vida planejada, programada,
Sem cor, sem emoção, sem amor...
Desculpe por não ter acreditado em nossos sonhos.
Desde que você foi viver os seus sonhos,
Minha vida não tem mais aquela alegria,
E, todas as vezes que olho aquela fotografia,
Eu te imagino num lugar lindo, com sua mochila,
Sua câmera nas mãos, fotografando tudo,
Eternizando cada momento, cada sentimento,
Vejo você sorrindo e perguntando:
Essa ficou boa?

-Paulo Arruda.