sábado, 7 de setembro de 2013

Vitória.


Bom, eu poderia começar contando minha história de varias maneiras, algumas não tão fáceis, mas mais marcante outras bem mais simples, porem sem emoção alguma, seria como um resumo vazio. É claro que começarei da forma mais difícil, mais emocionante, e, quem sabe, a minha história possa tocar-te em algo, e, talvez, mude algo em sua história... Sou a mais nova entre 4 irmãos (2 meninas e 1 menino), posso dizer que tive uma infância feliz, como de qualquer outra criança, ou talvez não. Mas no geral, eu fiz tudo o que se espera de uma criança, corri, brinquei, aprontei, sorri e chorei, e como chorei... Mas as lágrimas são necessárias, às vezes, fazem parte da vida, nos fortalecem. Desde pequena sempre fui muito decidida, empenhada com as minhas coisinhas, me esforçava ao máximo para que os desenhos de colorir saíssem perfeitos, pra, quem sabe, ganhar um elogio, um carinho dos meus pais. Era um esforço em vão, ninguém nem percebia meus esforço, ninguém me notava, quando notavam, só viam os defeitos, só recebia criticas, nenhum incentivo, nenhuma palavra animadora, nada, absolutamente nada... Mas sempre fui teimosa, persistente, sempre absorvia aquelas criticas e pensava: “posso fazer melhor, sou capaz disso” claro que todas aquelas criticas, a ausência de carinho, me deixavam bem triste, mas, ao mesmo tempo, me ensinaram a ser forte, a procurar fazer sempre o melhor. As cosias pioraram quando completei 7 anos, talvez a minha pior fase, não só minha, mas a de toda família, talvez, não sei... Sei que para mim foi horrível, pra minha mãe que entrou em depressão também. Ela afastou-se ainda mais de mim, de meus irmãos, das coisas que eram rotineiras, tipo a de me levar a mim e meu até a escola. Com isso, aos 7 anos de idade, eu atravessava a cidade inteira até chegar á escola, tive que aprender a me virar, fazer meu lanche, se não passava fome no caminho. Mas essas coisas me fortaleceram ainda mais, aos 7 anos eu conhecia a cidade quase toda. Com o passar do tempo cada um arrumou uma forma de se livrar da tristeza que carregávamos, talvez não tenham tido a melhor escolha, mas, talvez seja a única maneira que eles conseguiram pra sair de tal situação. Meu irmão deixou de assistir as aulas pra ficar se drogando, minhas duas irmãs casaram-se e tiveram filhos, hoje moram com os maridos, minha mãe troca de namorado com a mesma frequência em que troca de roupa, e eu, eu continuei sendo eu mesma continuei com meus esforços para obter atenção, e até um pouco de carinho, de amor... Mas não desanimei, com o passar dos anos fui me tornando cada vez mais independente, responsável, mais concentrada e focada em meus objetivos. Os atritos com minha mãe foram aumentando, ela sempre me chamou de irresponsável, não poderia aceitar tal insulto, logo eu que sempre me esforcei tanto, abdiquei de várias coisas, tive que me tornar independente muito nova, era apenas uma criança. Mas, sabe, até que não reclamo muito disso, talvez tenha sido melhor assim, não que eu não tenha sofrido que não tenha sido doloso, mas eu superei todos os obstáculos que a vida me proporcionou, sem ajuda, sem ninguém, sem desviar meu caminho, fiz tudo isso sendo eu mesma, e amadureci muito nesse tempo todo, mesmo que seja um amadurecimento precoce. Hoje sou feliz com minhas coisas, minha músicas, meus textos, meus colegas, minhas conquistas... E quando olho para trás, vejo um passado triste, sim, mas também vejo tudo que superei todos os obstáculos que ficaram para trás, tudo isso sem manchar minha trajetória, sem desvirtuar meus pensamentos. Se me perguntarem hoje, o que eu quero da vida, eu responde de imediato: “EU QUERO SER FELIZ”, e eu serei feliz, não importa quantos obstáculos à vida me propor, passarei por todos, sem desanimar, sem desistir. Serei feliz e isso será minha maior conquista, meu orgulho, olharei para trás e direi que venci, sim, venci todos os obstáculos, as tristezas, e fiz tudo isso sendo eu mesma, acreditando em mim, em meus ideais... Ah! Ia esquecendo de me apresentar. Me chamo Vitoria, e tenho 14 anos.


-Paulo Arruda.

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