sábado, 7 de setembro de 2013

Se ninguém te ouve, escreva.


- Porque escreve tanto, senhor?
Perguntou um jovem rapaz, ao senhor de cabelos grisalhos que estava sentando em sua cadeira na calçada.
O senhor de cabelos grisalhos olhou-o bem e respondeu:
- Escrevo para limpar-me os pensamentos, aliviar-me o coração.
- Hum... E o quê escreve?
Perguntou novamente o rapaz.
Demonstrando certa irritação e querendo dispensar logo o curioso rapaz, o senhor, respondeu-lhe de maneira ríspida:
- Escrevo meus sentimentos, pensamentos, sonhos e até amores. O que vier a cabeça.
Um crescente interesse, misturado com um tanto de curiosidade, o rapaz, perguntou, mais uma vez:
- Ah, sim. Mas não seria melhor falar, conversar com alguém?
(...) silêncio.
- O senhor não gosta muito de falar, não é mesmo?
Disse o jovem, um pouco constrangido pelo silêncio.
Depois de mais um breve silêncio, um gole no café, já meio frio, seguido de um trago em seu cigarro, respondeu-lhe assim:
- Meu caro rapaz, és muito jovem ainda, verás, com o tempo, que, na maioria das vezes, as pessoas não nos ouvem, não nos dão devida atenção quando falamos. As palavras ficam perdidas, vagando por aí, levadas pelo vento, são rapidamente esquecidas.
Quando se escreve, é diferente, escreve-se para si mesmo, depois para os outros. E quem ler sempre dará total atenção, lembrarão de cada verso, cada sentimento aqui escrito.
Olhou fixamente o rapaz, e disse:
- Aprenda uma coisa, jovem rapaz, escrever é a melhor forma de fazer com que as pessoas nos dê atenção, se queres ser ouvido, escreva.
O rapaz encarou-o em silêncio, perdido em pensamento, talvez digerindo aquelas palavras, procurando algum significado. E, sem dizer nada, virou-se de repente e foi embora, caminhando lentamente, apenas com um tímido sorriso no rosto.


-Paulo Arruda.

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